Ruptura de gerações está ficando muito rápida

 

 Ruptura de gerações está ficando muito rápida


Fiquei perplexo com meu filho mais novo mostrando o dedo do meio da mão em riste, enquanto os outros três dedos ficavam dobrados, aquilo era - a cerca de meio século passado - um gesto extremo de obscenidade.

Fiquei pensando: que ruptura! Mas, agora, era um simples gesto de desagrado, um protesto simples sem a carga erótica e gestual obsceno, porque eu estou parado em outra camada de civilização passada deslocada e descolada da camada atual.

As mulheres andam, com muita naturalidade, com uma fina camada de tecido colada à vácuo no corpo mostrando cada detalhe da anatomia feminina onde se pode quase ver todas as dobras e entranhas genitais, e as protuberâncias eróticas e erógenas estão sempre em destaque por aquilo que no passado era apenas função de uma vestimenta, uma roupa, o que hoje é apenas uma vitrine para destacar a feminilidade e a potência hormonal dos estrogênios produzindo erotismo ao vivo.

Está naturalizada a nudez porque o efeito manada impede que alguma rês afastada e isolada ou desviada do gado seja vista ou tida como uma mulher ou espécime estranho, assim, a multidão de mulheres despidas se protege pela solidariedade e sorosidade do mesmo pecado em comum de andarem nuas sem culpa, sem que pareçam ridículas.

Para se ter uma ideia: imagine um macho saindo de casa com uma pintura nos olhos e nos lábios, com unhas enormes coloridas, com uma calça colante destacando as suas bolas testiculares e o seu volumoso pênis, com as costas nuas e o peito devassado por um decote, todos ficariam perplexos pela novidade e pelo ineditismo e singularidade, mas se cem homens passassem assim vestidos todos juntos no metrô, ao terceiro dia ninguém os notariam.

A linguagem se rompeu: palavrões antigos são adjetivos novos, e palavras e gestos agressivos são incorporados como tratamentos coloquiais antes abusivos como: cuzão, bundão, piranha, não são mais do que palavras incorporadas ao novo vocabulário, onde até mesmo as leis de concordância gramatical foram mudadas e modificadas, recriadas e adaptadas, tentou-se uma linguagem enigmática telegráfica sem vogais para comunicação nos meios de comunicação mas as ambiguidades foram de tal monta que fora abandonada, valeu a tentativa de criar um código hermético para troca de msg via a internet via SMS.

Sem entender direito como a música foi abolida das músicas no RAP onde apenas se fala sem cantar, uma letra sem rima e sem melodia, apenas uma batida ritmada e um baixo no fundo servindo de escora para uma letra encarniçada cheia de rancor e muita erotização descarada e direta falando em penetração e orgasmo, sem cerimônia e sem poesia, apenas coito simples e secamente.

Empurra-se tudo que pode ser penetrado, em qualquer orifício do corpo, em qualquer lugar, em grupo ou em dupla ou trio, em fila indiana, apenas para se provar que se pode fazer sexo de todas as formas em todos os lugares e de todas as maneiras.

Os programas de mídia de todos os suportes tecnológicos sejam: celular, computador, televisão, cinema mostram competições onde as pessoas se conhecem através do coito, apenas discutem quem vai transar com quem e quando, mas o beijo na boca sobrou ainda como sinal de respeito pelos sentimentos, o sexo, que nada! é só ginástica fitness orgástica.

O mais estranho dessa ruptura é que 95% da população da terra nem sequer imagina esse mundinho da bolha do ocidente que ainda luta pela aceitação de novos comportamentos sociais enquanto os outros 5% se degladiam pela normoafetividade contra a homoafetividade, mas 95% da população do mundo não está enfrentando a ruptura entre o LGBTQIA e o normal porque nem sabem o que é isso, nunca ouviram falar em movimento femnista, aquecimento global, ecossistema, lésbica, homossexual, direitos humanos, democracia, machismo tóxico, porque o Ocidente vive na sua bolha encimesmado e onisciente e presunçoso da sua sabedoria absoluta.

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